1. Quantos anos foram dedicados à pesquisa da vacina Leishmune?

2. Qual a proteção induzida pela Leishmune?

3. Caso apliquemos apenas duas doses da vacina, os cães estarão imunizados?

4. Como proceder caso o animal desenvolva qualquer tipo de enfermidade durante o esquema vacinal?

5. Quanto tempo após a vacinação o cão pode ser considerado protegido?

6. Por que não se pode utilizar a vacina em fêmeas prenhes?

7. Por que não se pode vacinar o cão antes dos quatro meses de idade?

8. Por que aplicar a primeira dose de revacinação 12 meses após a primeira dose e não após a terceira dose?

9. O cão vacinado torna-se infectante após a picada do flebótomo?

10. O cão pode desenvolver Leishmaniose Visceral Canina, apesar de ter recebido o programa completo de vacinação com Leishmune?

11. Cães assintomáticos e soropositivos podem ser vacinados?

12. A vacina Leishmune pode provocar Leishmaniose Visceral Canina?

13. A Leishmune promove proteção contra Leishmaniose Tegumentar Canina?

14. A vacina pode ser utilizada em animal soropositivo com a finalidade de tratamento?

15. Qual é o teste sorológico mais sensível para diagnosticar anticorpos contra Leishmaniose Visceral Canina?

16. O que fazer quando o laudo do laboratório apresentar um resultado suspeito?

17. Deve-se continuar a utilização de outros métodos de controle da leishmaniose em cães vacinados?

18. Por que a saponina foi escolhida como adjuvante de imunidade da Leishmune?




1. Quantos anos foram dedicados à pesquisa da vacina Leishmune?

Os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento de uma vacina experimental contra Leishmaniose foram iniciados em 1980, e, a partir de1996, começaram os estudos de campo em maior escala, os quais apresentaram resultados promissores. Desde 1999, então, a Fort Dodge tem cooperado e trabalhado juntamente com a equipe da doutora Clarisa Palatnik de Sousa em diversos estudos adicionais, além de se dedicar à produção da vacina em escala industrial.

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2. Qual a proteção induzida pela Leishmune?

Em dois estudos realizados em áreas endêmicas, com o intuito de se identificar a eficácia da Leishmune, foram anotados os seguintes resultados:
  • no primeiro estudo, com duração de dois anos, 33% dos animais-controle desenvolveram sinais clínicos de Leishmaniose Visceral Canina, enquanto que 8% dos cães vacinados mostraram sinais moderados, sem nenhum óbito. Nesse caso, concluiu-se que a vacina apresentou 92% de proteção contra Leishmaniose Visceral Canina no grupo vacinado, significando 76% de eficácia vacinal.
  • no segundo estudo, com duração de 3,5 anos, 25% dos animais-controle desenvolveram doença clínica e fatal, ao passo que apenas 5% dos cães vacinados desenvolveram a doença. Concluiu-se, assim, que a vacina apresentou 95% de proteção contra Leishmaniose Visceral Canina no grupo vacinado, significando 80% de eficácia vacinal.
A eficácia vacinal é mensurada calculando-se a diferença da incidência da doença entre indivíduos vacinados e não-vacinados, e determinando-se a porcentagem de redução da incidência da doença entre os dois grupos. Esse cálculo pode ser obtido por meio da seguinte fórmula matemática:

EV= eficácia vacinal
IN= incidência nos indivíduos não-vacinados
IV= incidência nos indivíduos vacinados

EV = IN-IV X 100 / IN

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3. Caso apliquemos apenas duas doses da vacina, os cães estarão imunizados?

Em todos os estudos realizados a campo, todos os cães vacinados receberam o programa vacinal completo, isto é, três doses. Dessa forma, até que novos estudos sejam realizados, não é possível assegurar que um animal está suficientemente imunizado com apenas duas doses.

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4. Como proceder caso o animal desenvolva qualquer tipo de enfermidade durante o esquema vacinal?

Um animal que está desenvolvendo qualquer tipo de enfermidade apresenta-se debilitado e, conseqüentemente, não responderá bem à vacina. O ideal é esperar o animal se restabelecer e após este período, reiniciar o esquema vacinal.

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5. Quanto tempo após a vacinação o cão pode ser considerado protegido?

Segundo os estudos de eficácia e de soroconversão realizados, o cão apresenta título protetor 21 dias depois da terceira dose. Esse é, portanto, o momento em que o cão pode ser considerado protegido.

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6. Por que não se pode utilizar a vacina em fêmeas prenhes?

Porque até o momento não foi conduzido nenhum estudo de segurança utilizando-se a vacina em animais nessa condição.

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7. Por que não se pode vacinar o cão antes dos quatro meses de idade?

Porque todos os estudos conduzidos com a Leishmune foram realizados em cães com essa idade mínima. Além disso, não se sabe qual é a duração exata dos anticorpos maternos após a vacinação contra Leishmaniose Visceral Canina.

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08. Por que aplicar a primeira dose de revacinação 12 meses após a primeira dose e não após a terceira dose?

Porque em todos os estudos de eficácia e soroconversão realizados com a Leishmune a revacinação anual foi efetuada um ano após a primeira dose.

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09. O cão vacinado torna-se infectante após a picada do flebótomo?

Foi demonstrado, em trabalhos científicos, que o predomínio de IgG1 está relacionado ao aumento de sintomas, malignidade e refratariedade ao tratamento quimioterápico. O aumento dos sintomas também está relacionado com o declínio de linfócitos CD4, ou seja, dos linfócitos T helper que, por sua vez, estão correlacionados ao aumento de infecciosidade para os flebótomos (transmissibilidade) e diminuição de IDR. Portanto, o aumento relativo de IgG1 sobre as IgG2 pode ser um marcador sugestivo de infecciosidade para os flebótomos. Níveis estáveis de IgG1 ao longo do tempo, ou predomínio de IgG2 indicariam, então, a manutenção de níveis normais de CD4 e aumento de IDR, bem como diminuição de sintomas e de transmissibilidade da doença. Ainda assim, uma correlação estatisticamente significante foi encontrada entre resistência à infecção e intradermorreação positiva.
Em resumo, a literatura recente indica que o cão se torna mais infeccioso para flebótomos quando já apresenta a doença em um estágio avançado, com os linfócitos CD4 e CD21 decaídos, sorologia por IgG e IgG1 alta, PCR positivo, tendência a resultados negativos em testes de IDR e sintomatologia evidente de Leishmaniose Visceral Canina7,32.
A vacina Leishmune demonstrou seu valor protetor contra a Leishmaniose Visceral Canina e redutor da transmissibilidade a campo, uma vez que induz um status imune no animal, evidenciado por ausência de sintomas clínicos nos animais, resultados positivos em testes de IDR, IgG2 predominante e PCR negativo em amostras de sangue e medula. Além disso, a vacina Leishmune manteve os níveis normais de linfócitos CD4 e CD21.
Essas evidências indicam que a vacina Leishmune, além de proteger os cães contra a Leishmaniose Visceral Canina, reduz a capacidade de transmissibilidade dos animais na área endêmica.
Foi demonstrado também, em recentes ensaios in vitro realizados com flebotomíneos, que a Leishmune é uma vacina bloqueadora da transmissão44, uma vez que os anticorpos produzidos por cães normais que receberam três doses de Leishmune (IgG2 predominante) inibem a ligação de promastigotas procíclicas de Leishmania donovani e Leishmania chagasi na membrana intestinal de Lutzomya longipalpis. Esses resultados confirmam, mais uma vez, o potencial uso da vacina no controle da leishmaniose visceral.

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10. O cão pode desenvolver Leishmaniose Visceral Canina, apesar de ter recebido o programa completo de vacinação com Leishmune?

Sim e, nesse caso, algumas possibilidades devem ser consideradas:
  1. Sabemos que o teste ELISA só é capaz de detectar anticorpos antileishmânia de 1,5 a quatro meses após a infecção, em média. Assim, mesmo apresentando sorologia negativa para Leishmaniose Visceral Canina, o cão pode estar infectado no momento anterior à vacinação.
  2. O período de incubação da Leishmaniose Visceral Canina pode variar entre dois e cinco meses; assim, um cão vacinado durante o período de incubação pode apresentar sinais clínicos da enfermidade depois do término do programa vacinal.
  3. O cão só é considerado protegido 21 dias após a terceira dose de Leishmune. Portanto, até que se cumpra esse período (63 dias após primeira dose) ele estará suscetível ao protozoário.
  4. A Leishmune promove entre 92% e 95% de proteção. Assim, uma minoria de cães não responderá à vacinação, mesmo que tenha recebido o programa vacinal completo.

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11. Cães assintomáticos e soropositivos podem ser vacinados?

Não, a vacina é indicada para uso em animais soronegativos. Nos testes conduzidos pela equipe da professora Clarisa Palatnik de Sousa e pela equipe da Fort Dodge todos cães apresentavam resultados sorológicos negativos antes da vacinação com Leishmune. Dessa forma, não é possível assegurar a eficácia da vacina em cães soropositivos.

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12. A vacina pode ser utilizada em animal soropositivo com a finalidade de tratamento?

Não. A vacina é somente indicada para animais sorologicamente negativos. A eficácia e proteção só foram testadas nestas condições.

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13. A vacina Leishmune pode provocar Leishmaniose Visceral Canina?

Não. Em relação à segurança, como a Leishmune é uma vacina inativada, de subunidade, é impossível que ocorram reversão de virulência e aparecimento ou agravamento dos sintomas em animais soropositivos que, por ventura, sejam vacinados.

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14. A Leishmune promove proteção contra Leishmaniose Tegumentar Canina?

Até o momento não foi realizado nenhum estudo em relação à eficácia da Leishmune contra a Leishmaniose Tegumentar Canina. Portanto, há possibilidade de um cão vacinado com Leishmune infectar-se com outras espécies de leishmânia, que não sejam do complexo donovani (L. donovani, L. infantum, L. chagasi).

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15. Qual é o teste sorológico mais sensível para diagnosticar anticorpos contra Leishmaniose Visceral Canina?

A literatura revela que o teste ELISA possui de 90% a 100% de sensibilidade e cerca de 90% a 99% de especificidade. Por outro lado, a imunofluorescência indireta (IFI) possui de 80% a 98% de sensibilidade e 60% a 98% de especificidade.
Ainda assim, é importante saber qual é o antígeno utilizado em cada um dos testes de diagnóstico, uma vez que alguns não possibilitam a diferenciação entre leishmaniose visceral e tegumentar.

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16. O que fazer quando o laudo do laboratório apresentar um resultado suspeito?

Deve-se aguardar entre 15 e 30 dias e repetir o exame.

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17. Deve-se continuar a utilização de outros métodos de controle da leishmaniose em cães vacinados?

O importante é lembrar que a vacina não promove 100% de proteção nos cães vacinados; portanto, qualquer outra medida de controle da Leishmaniose Visceral Canina sempre será benéfica.

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18. Por que a saponina foi escolhida como adjuvante de imunidade da Leishmune?

Porque a saponina é um dos poucos adjuvantes que têm a propriedade de estimular a resposta imune humoral e celular simultaneamente Th1/Th2. Uma resposta protetora do tipo Th1 é extremamente importante contra a infecção por leishmânia. Paralelamente, as saponinas de Quillaja saponaria revelaram um perfil mais potente e específico, quando comparadas com adjuvantes alumina, BCG, adjuvante de Freund, interleucina IL12 e saponinas de outras plantas (Bredemeyera floribunda, Calliandra pulcherrime e Periandra mediterranea), no modelo murino.

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